A Argentina e o benefício do ócio

A Argentina e o benefício do ócio

2 Maio, 2018 | Nenhum comentário

Quem conhece um pouco da cultura argentina, sabe que é impossível separá-la do famoso mate. Degustar essa bebida, preparada a partir da infusão de erva mate em água quente, é um momento especial no dia, seja para aproveitar com os amigos ou para ter alguns minutos de reflexão e tranquilidade. É aquela hora em que se deixa os problemas de lado para conversar sobre amenidades do cotidiano, curtir o ócio e viver a vida com mais leveza.

Levando isso para a infância, hoje temos visto crianças cada vez mais atarefadas, com dezenas de obrigações e atividades, que as vezes esvazia a importância do brincar nessa fase da vida.

O resultado disso são crianças tão acostumadas a terem suas atividades organizadas e a agenda cheia, que não sabem se entreter quando estão em ócio. Ao contrário do que esperam os pais ao encherem seus filhos de obrigações para que tenham sucesso, na verdade acabam por criar seres pouco criativos e passivos.

O excesso de atividades

Além da escola, há uma série de atividades que, embora favoreçam o acúmulo de conhecimentos e habilidades pelas crianças, em excesso podem provocar exaustão, estresse e até depressão.

Peter Gray, psicólogo evolucionista e professor do Boston College, notou que quando as escolas americanas diminuíram os intervalos de brincadeira no colégio, os índices de depressão, ansiedade e suicídio aumentaram. “Se amamos nossas crianças e queremos que elas prosperarem, temos que garantir a elas o tempo e oportunidade de brincar”, afirma Gray.

O ócio na infância deve ser garantido. Pais e escola devem proporcionar momentos prazerosos de pura brincadeira que, a princípio, não têm um significado pedagógico, mas que vão possibilitar que a criança viva a infância em sua plenitude.

Ócio não é descaso

Não estamos falando em ócio como um momento em que esqueceremos da criança, mas sim um momento em que deixaremos o pequeno criar. Inventar seu próprio momento, suas próprias brincadeiras, interagir com outras crianças ou ficar sozinha.

Ficar sem “fazer nada” ensinará a criança a lidar com suas frustrações e driblar o marasmo por conta própria. Sem atividades estruturadas, ela irá criar a partir do ambiente ao seu redor e terá uma oportunidade de autoconhecimento, descobrindo seus prazeres e aptidões.

Todo mundo precisa de tempo para pensar em coisas simples e aprender a encontrar alegria nesse momento de cabeça livre, para desenvolver todo o potencial existente nele mesmo.

Benefícios do ócio

Além do desenvolvimento da sua capacidade criativa, o ócio também oferece outros benefícios à criança, como:

1- O tempo livre humaniza os pequenos, tirando-os de uma rotina estressante e dando-lhes a oportunidade de encontro com a natureza.

2- Crianças que se entretem, ou que brincam umas com as outras estão aprendendo a se adaptar aos desafios e circunstâncias da vida.

3- É um exercício mental, que os ensina como estar em grupo ou sozinhos, ensinando-os a serem humanos.

4- Brincando os pequenos extravasam suas emoções, angústias, medos e agressividade. Reelaboram esses sentimentos a partir do autoconhecimento e do olhar para o grupo.

5- Tempo livre gera felicidade. Estudos mostram que as pessoas são mais felizes no final de semana, isso porque é um momento que elas têm para si, em que podem escolher suas próprias atividades.

6- Diminui a ansiedade. O excesso de atividades gera uma angústia e estresse desde o cumprimento de agendas até dos deveres de casa.

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